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A voz da nai é a primeira que recoñece unha crianza ó saír ó mundo. E aí préndese a chispa da nosa historia propia e singular, como comunidade cultural, atravesada  pola cuestión de xénero que nos tocou.

Entendemos esa voz, a lingua materna, como elemento troncal das nosas vidas. 

A voz das mulleres referente dos coidados, do traballo, do sustento da casa,  nexo da familia e da comunidade, identificada coa terra, coa memoria e coa fortaleza; son esas mulleres, elas, vimbios indispensables da nosa cultura viva, referentes da palabra falada, cantada ou non dita.

Atoparon nas artes da música e do baile unha liberdade descoñecida, e romperon con todo, creando códigos retóricos, deixándose ir na creación artística cara a liberdade, nun mundo xerido polo clericalismo e o patriarcado máis acérrimo. Foi a súa unha loita entrocada na música e no baile, foron as tocadoras e cantadoras do prohibido, e convertéronse así nas máximas representantes da coñecida frase de Emma Goldman: “Se non podo bailar, a túa revolución non me interesa”. 

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A noite pasada deixounos un amigo, Xabier Docampo, escritor que tanto fixo pola literatura infantil e xuvenil en Galiza e no mundo todo, contador de historias, mestre e sobre todo un home inmenso.  A súa voz grave chea de sentido do humor e boa conversa resoará para sempre na Escola de Verán de Aeda onde nos regalou cunha conferencia cheíña de certezas e dúbidas, sobre a que sobrevoaba o seu sorriso sabio.  Levamos as súas ensinanzas e as súas palabras a modo de colar, penduradas do peito, pretiño do corazón. 

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PALABRAS QUE TENDEN PONTES

As xentes da narración oral vivimos de contarmos, de dicirmos, de falarmos, somos homes e mulleres de palabra, de palabras, e coñecemos a forza que se agocha tras delas. Sabemos que as palabras poden destruír e construír, empurrar e apertar, ferir e sandar... Xa que logo, nestes días convulsos desde AEDA queremos condenar calquera tipo de violencia, quer verbal, quer física, e facemos un chamamento ao diálogo, un chamamento para habilitar espazos de palabra partillada e de encontro, lugares nos que se cultiven palabras das que tenden pontes, das que edifican espazos de convivencia, das que achegan as persoas.

E este non é só un chamamento aos políticos e políticas, que tamén, é un chamamento a todos os protagonistas atrapados polo rodopío destes días, a xornalistas, a xentes da cultura, a figuras públicas, a uns, a outros, a ti, a vós, a nós, a todos. 

 

espanhol / Inglês

Conheci o Tim Bowley em 2004 nas Palavras Andarilhas em Beja. Ele pareceu-me uma árvore alta com um brilhozinho de menino nos olhos. Ao lado dele estavaCasilda Regueiro, para "traducontar" as suas histórias para o espanhol. O pas de deuxdeles em cima do palco era maravilhoso de ver, mas o que mais me impressionou foi a voz dele e a forma como ela nos abraçava com firmeza e nos levava em viagens para lugares distantes do mundo, mas tão perto dos nossos corações. Foi uma noite completamente cativante!

Tim começou a vir a Portugal no final dos anos 90 para contar e dar formação (em 1998 em Braga e depois em 1999 em Lisboa) e tornou-se um dos primeiros contadores de histórias internacionais a chamar a atenção do público português. Desde então contou histórias para milhares de ouvintes sorridentes e partilhou a sua experiência e conhecimento com centenas de professores, educadores, bibliotecários e contadores de histórias. Mas como é que só então cruzei caminhos com este grande contador de histórias? A verdade é que fiquei viciada a partir desse momento e conduzia quilómetros para vê-lo a ele e à Casilda e mais tarde também com a Charo Pita sempre que contavam histórias em Portugal. Entre outros lugares, Tim contou em Braga, Beja, Lisboa, Oeiras, Pombal, Vila Nova de Paiva, Montemor, Vilamoura, Óbidos, Tavira, Coimbra ..

Tive a sorte de começar a perseguir narradores antes da crise ter atingido o país, quando as bibliotecas e municípios em Portugal ainda podiam contratar os melhores para vir ao nosso pequeno jardim à beira-mar. Tim Bowley é um nome que faz sorrir muitos portugueses e portuguesas. Ele deu vários workshops, um dos quais foi um curso intensivo em Oeiras em que tive a sorte de participar, e muitas histórias maravilhosas encheram serões em todo o país. Algumas das suas histórias e coleções de contos foram publicadas em português e estão nos corações e nas pontas das línguas de muitos contadores de histórias aqui. Rara é a sessão de contos, especialmente com crianças, quando eu não tiro do saco o seu livro, "Jaime e as bolotas", para brincar com o público com as repetições e relembrar os ciclos da vida e como é importante persistir na sua protecção.

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Os movimentos de narração oral, em todas as suas geografias, não são dissociáveis da ideia de “renascimento”. É sob este prisma que muito autores compreendem o fenómeno, nas suas diversas línguas: renacimiento, em Castelhano (Sanfilippo 2007); revival, em Inglês (Sobol 1999, Heywood 2000, Ryan 2003); renouveau, em Francês (Calame-Griaule 2001, Patrini 2002, Haeringer 2011), entre outras. No entanto, apesar de muitos artistas revelarem um sentimento de pertença a uma determinada cultura ou a uma linhagem tradicional, a necessidade de identificar os limites entre a prática contemporânea de contar histórias e aquela que pertence ao universo da tradição oral não deve ser desprezada. Com efeito, a compreensão do fenómeno dos movimentos de narração oral enquanto renascimento de práticas e patrimónios tradicionais apresenta fragilidades. Ao contrário do agente que, nos contextos ditos tradicionais, contava (e conta) histórias em contextos familiares e comunitários, o artista narrador oral é, em primeiro lugar, alheio ao universo de origem das narrativas. Mesmo quando reproduz um repertório da sua própria realidade geográfica, como por exemplo, um narrador minhoto que trabalha sobre contos de tradição oral do Minho, importa notar que a cultura urbana e alfabetizada de que faz parte é estranha ao contexto rural e campesino em que estas histórias se transmitiram oralmente através das gerações. Com efeito, há muito que esta estranheza se revela na maioria das adaptações de contos presentes na literatura, no cinema ou em outras artes, procurando atenuar o racismo, o machismo ou a violência normalmente presente nesses repertórios, sejam de tradição oral, sejam do universo dos “contos de fadas” (ver, entre outros, Zipes 1979 e Warner 1995). Como nota Cristina Taquelim, esta é uma atitude geral para com os repertórios de tradição oral, que falha em compreender a importância do seu contexto: